A enorme onda de solidariedade em torno do casal de Sá (Patrícia Oliveira, de 25 anos e Filipe Vieira, de 30), na freguesia de Sangalhos, que na noite do dia 18 de dezembro, perdera a habitação, na sequência de um incêndio, não pára de crescer.
Para além da família e amigos, muitos anónimos da região e dos mais variados pontos do país têm ajudado a minorar o sofrimento do jovem casal que tudo perdeu.
Numa primeira fase e logo a seguir ao trágico incêndio que os deixou apenas com as roupas que traziam no corpo, foram as inúmeras partilhas dos pedidos de ajuda feitos no facebook que deram de imediato frutos. Em poucas horas multiplicavam-se as partilhas e contactos que resultaram numa onda de solidariedade, que se traduziu no verdadeiro e genuíno espírito natalício.
“No meio da tragédia, vimos que ainda existe gente muito boa e solidária, pois graças a todos conseguimos já ter o mínimo para viver,” diz Patrícia Oliveira.
Ainda que a residir temporariamente na casa dos pais de Patrícia Oliveira, também em Sangalhos, o casal já possui todos os bens de primeira necessidade.
Agora, a prioridade está em arranjar materiais de construção para recomeçar a reconstruir a casa.
Passados que estão 15 dias sobre o sinistro que desalojou o casal com uma bebé de três meses, é hora de começar a pensar numa nova casa.
Os trabalhos de remoção de entulho – com a colaboração da Câmara Municipal de Anadia – estão terminados, tendo familiares, amigos e conhecidos sido determinantes neste processo que obrigou à demolição de todas as paredes interiores da habitação.

Autarca de Sangalhos elaborou projeto da “nova” casa. Neste momento, o projeto de reconstrução está concluído graças à colaboração do autarca da freguesia de Sangalhos, António Floro, que é também desenhador. Logo a seguir ao incêndio, disponibilizou-se para fazer o projeto.
“Estive aqui com o casal, tirámos medidas, fez-se um levantamento da área (100m2) e, de acordo com as necessidades do casal, fiz o projeto”, referiu António Floro.
A JB revelou tratar-se de um projeto simples, uma vez que a casa é pequena. Num novo “desenho, com novas divisões”, a habitação de Patrícia e Filipe terá cozinha e sala comuns com lareira, dois quartos, um pequeno hall e uma casa de banho, permitindo que os compartimentos sejam ligeiramente maiores uma vez que as áreas foram melhor aproveitadas em relação aos compartimentos que existiram na antiga casa.
O autarca de Sangalhos acredita que se existirem donativos suficientes, será possível fazer a obra em escassos meses.
Refira-se ainda que o jovem casal tinha gasto no ano passado todas as suas economias (cerca de 10 mil euros) na recuperação da habitação.

Materiais de construção, mobiliário e eletrodomésticos. Patrícia Oliveira revela que já têm roupa suficiente para o casal e para a bebé, sendo agora o apelo feito para a oferta de materiais de construção e recheio para mobilar a habitação (móveis, eletrodomésticos).
Até ao momento, já foram oferecidas portas interiores, vidros das janelas e piso flutuante. Mas será necessário muito mais. O casal precisa de tijolos, cimento, areia, telhas, sem falar nos pavimentos e revestimentos, caixilharia de alumínio, persianas e louça sanitária.
Por isso, para fazer face à necessidade de adquirirem materiais de construção para reconstruir a habitação, disponibilizaram já na sua página de facebook um NIB: 00380081 01200001771 74 (Filipe Vieira – Banco Santander Totta) para quem quiser ajudar monetariamente, de forma a que possam adquirir os referidos materiais.

Câmara Municipal atenta e pronta a ajudar. Na última reunião do executivo anadiense, a edil Teresa Cardoso transmitiu o pedido de ajuda endereçado à Câmara Municipal pelo casal, avançando ainda que a Câmara está empenhada em ajudar o casal, à semelhança de outras situações.
“Numa próxima reunião de executivo serão apresentados já em concreto valores de forma a deliberar com exatidão o apoio a conceder ao casal”, explicou. Para já, foi solicitado aos serviços técnicos da autarquia uma avaliação precisa da intervenção a realizar na habitação para depois quantificar a ajuda a conceder.
“Não podemos perder a onda de solidariedade e a vontade de ajudar este casal. Por isso, é preciso agir com rapidez”, sublinhou a edil, reconhecendo que “como tudo faz falta, todas as ajudas são bem-vindas”.
A edil contactou também a Cáritas, que deverá estar disponível para apoiar mas numa fase posterior, em equipamentos (eletrodomésticos ou mobílias).

Gente de má fé. No meio de tanta ajuda e solidariedade, há também quem se esteja a aproveitar da situação.
Patrícia Oliveira dá conta de uma ou duas situações em que, depois de terem a indicação de algumas ofertas, quando as foram levantar, alguém já o teria feito, fazendo-se passar pelo casal.
Por isso, deixa o alerta para que todas as ajudas sejam feitas diretamente ao casal.
Catarina Cerca