Oriana Pataco, Diretora JB

Cada vez que tenho oportunidade de presenciar um jogo de futebol em que jogue “um dos grandes”, os primeiros minutos são de êxtase puro. Fico vidrada a olhar para o espetáculo da claque, antes de me concentrar no espetáculo do jogo propriamente dito. As claques são, sem dúvida, as principais responsáveis pelo ambiente criado num estádio, em particular num estádio de futebol. Os cânticos, luzes, bandeiras e tarjas que envergam dão um brilho especial àquilo que se está a viver dentro do campo. As claques motivam a sua equipa e muitas vezes acabam por ser mesmo um fator diferenciador para este ou aquele jogador, com incentivos peculiares, que podem levar a um rendimento extra e em muitos casos a mudanças no resultado.
É também por isso que se torna completamente diferente a emoção vivida num estádio, ou em casa ou num café, em frente a um televisor. Os próprios cânticos que “puxam pela equipa” são entoados pelos adeptos, proporcionando um espírito de união único entre todos aqueles que são, afinal, o 12.º jogador da equipa.
Mas as claques não têm só atitudes fantásticas. Os infelizes acontecimentos da última semana lembram-nos isso mesmo. Começou num jogo de andebol entre FC Porto e SL Benfica, em que a claque dos Super Dragões cantou “Quem me dera que o avião da Chapecoense fosse do Benfica”, numa referência ao avião que transportava a equipa brasileira e que se despenhou na Colômbia, causando a morte a 75 pessoas.
Como se não bastasse, poucos dias depois, num dérbi de futsal, entre o SL Benfica e o Sporting CP, a claque benfiquista fez um cântico que, por ser de tal forma lamentável e injurioso não vou sequer citar, em alusão ao adepto do Sporting morto por um very-light no Jamor, em 1996. E a claque do Sporting, para não se ficar atrás, ripostou, cantando músicas ofensivas à memória de Eusébio.
Não se fizeram esperar – não podia ser de outra maneira! – as reações das instituições em causa – FCP, SLB e SCP – condenando veementemente estas atitudes das suas claques. Isto não é desporto, isto não é espetáculo, isto não é nada!
Estas atitudes têm de ser julgadas a um outro nível, os responsáveis não podem sair impunes, se for caso disso, devem mesmo ser irradiados de qualquer recinto desportivo.
Sempre que claques rivais protagonizam cenas de violência entre si, destroem cadeiras, lançam insultos e vaias à equipa de arbitragem, ou entoam cânticos injuriosos, devem ser severamente punidas. Estes conflitos são prejudiciais para o seu clube, retiram a magia ao espetáculo e afastam as pessoas dos recintos desportivos – que pai quer levar um filho a ver um jogo, sujeitando-se a este tipo de cenas?
No próximo sábado, há um dérbi Sporting-Benfica. Que haja respeito e bom-senso, é o que se pede A TODOS.