Antero Almeida volta a ser candidato à presidência da Câmara de Águeda. O vereador, eleito em 2021 nas listas do CDS-PP – feito inédito em 24 anos para o partido em Águeda –, acredita poder melhorar o resultado de há quatro anos, consolidando o seu projeto e apresentando uma alternativa para o concelho.
“Candidato-me porque sinto que há muitas pessoas insatisfeitas, pessoas que anseiam que algo mude em Águeda e que se reveem nas propostas que tenho vindo a apresentar e na minha forma de estar na política”, afirmou, em entrevista ao Jornal da Bairrada.
Outro fator que ajudou a convencer Antero Almeida a aceitar o desafio foi “o desejo de dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido pela candidatura” que liderou há quatro anos. “Em pouco tempo e com meios modestos, conseguimos mobilizar muitas pessoas, incluindo sociais-democratas descontentes, que acredito continuarem do nosso lado, já que a situação não mudou. Em 2021, senti-me verdadeiramente um vencedor e seria um desperdício deitar fora esse esforço e não dar continuidade ao projeto.”
Sobre as expectativas para o ato eleitoral, o candidato do CDS reconhece as dificuldades inerentes a uma candidatura contra o poder instituído. “Acredito que Jorge Almeida se recandidatará para um terceiro mandato e, nessas circunstâncias, quem está no poder parte sempre em vantagem”. Ainda assim, assume a ambição de crescer eleitoralmente. “Queremos reforçar a votação nas freguesias, na assembleia municipal e, sobretudo, na câmara. Se conseguir transmitir a minha visão para Águeda e as pessoas perceberem que há uma alternativa viável, sentirei que cumpri o meu dever”, explica.
Uma visão alternativa para Águeda
Antero Almeida aponta o dedo à gestão do atual executivo e critica o que considera ser uma forma de governar pouco dialogante: “A forma como se exerce o poder em Águeda é déspota. Quem não concorda com o presidente é visto como inimigo. Isso vê-se nas reuniões de câmara”, criticou, ilustrando a sua tese com o exemplo do festival Agitágueda: “Nunca ouvi ninguém dizer que é contra o evento, mas sim que ele poderia ser melhorado, ter alternativas de financiamento e uma estratégia mais eficiente. Contudo, a câmara responde sempre com o discurso alarmista de que, se perder as eleições, o evento será extinto. Essa forma de governar precisa de mudar.” O vereador denuncia ainda a falta de atenção às freguesias e os problemas urbanos.
Entre as suas prioridades está a habitação: “Com a nova ligação Águeda-Aveiro, essa questão torna-se ainda mais relevante. Se não construirmos, Águeda pode perder habitantes para Aveiro. Precisamos de uma estratégia que vá além do apoio social e que incentive a construção de novos bairros residenciais”, defendeu, alertando também para a necessidade de uma residência universitária maior, que liberte habitações para trabalhadores.
A mobilidade é outro ponto de destaque – “no centro de Águeda há diversos problemas de circulação e estacionamento” –, assim como a recolha de resíduos, que suscita preocupação: “É curioso uma câmara ganhar o European Green Leaf 2026 [galardão que, entre as cidades europeias com uma população entre 20 e 100 mil habitantes, distingue as “mais verdes” e aquelas que demonstram maior compromisso com a aplicação de políticas de desenvolvimento sustentável] e depois ter lixo empilhado em tudo quanto é contentor”.
Apesar das críticas, o candidato reconhece a relevância de algumas obras realizadas pelo atual executivo – como o eixo rodoviário Águeda-Aveiro, a ligação do PEC ao IC2 e as intervenções para controlo das cheias -, mas considera que há muitas áreas negligenciadas.
Antero Almeida termina, reforçando que a sua candidatura será focada nos problemas reais dos munícipes: “Este executivo preocupa-se com quem vem de fora, com os prémios internacionais, os índices e as posições nos rankings. Eu privilegio quem vive em Águeda 365 dias por ano”, atesta.
Afonso Ré Lau