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Ricardo Regalado

Deputado do PSD na Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro

O fim de todos os fins!

É fundamental pensarmos o que queremos do futuro! Questionarmo-nos acerca das nossas ambições, não só pessoais mas coletivas.

Quando falamos em política, falamos em comunidade, isto é, aquilo que temos em comum, a coisa partilhada, que não pode ser pertença deste ou daquele, nem pode sequer estar sujeita à vontade particular de um só indivíduo. A política é uma ciência muitíssimo complexa, precisamente pelo facto de estar assente nas muito pequenas vontades individuais das pessoas que habitam determinado lugar, e que sendo necessariamente diferentes, de indivíduo para indivíduo, não podem nunca constituir uma vontade comum. Quem de nós sabe exatamente o que quer para o futuro?

E quantos diferentes futuros, possíveis e impossíveis, se pensam e projetam no mais íntimo de cada um de nós?

Quantos em desacordo, uns com os outros, se propõem como “O Projeto de Futuro”? Custa-me a crer que, e nunca pensei isso, haja um verdadeiro projeto de futuro, certo e firme, que por eficaz contemple as mesmas vontades e desejos. Se não que um conjunto de ideias que, por sentidos mais ou menos comuns, nos permitam uma perspetiva de futuro.

Claro está que, e era fundamentalmente isto que queria dizer, a urgência reside em construir, a partir e através das nossas ideias, uma tal perspetiva de futuro que, consciente da nossa falibilidade e limitação, seja capaz de compreender as diferenças que existem entre nós, de indivíduo para indivíduo, e ainda que tendo em conta que somos muitos, nos permita pensar e refletir capaz e livremente o que queremos para o futuro, sem a pretensão de chegar a um acordo universal acerca do que quer que seja. O que se torna paradoxalmente mais fácil, mas muito mais perigoso, se nos redimindo dos nossos direitos e abdicando da nossa capacidade de sonhar e propor, descartemos para um pequeno grupo de indivíduos a responsabilidade de o fazer. O acordo entre quatro ou cinco pessoas parece, à partida, mais fácil de atingir. Mas esta possibilidade é muito mais limitada e esquece os outros tantos mais sonhos e projetos de futuro que milhares de pessoas querem para si e para os outros mas que, por indiferença e comodismo, não propõem nem reivindicam, deixando o futuro a cargo das vontades individuais e particulares de um pequeno grupo de pensadores. Neste tempo que vivemos, pensar o que é comum, a coisa partilhada, a rés pública, é fundamental. Pensar o futuro, e projetar com os outros o desenho de uma perspetiva comum que garanta a maior felicidade de todos. Que é afinal o objetivo maior da política, lutar pela Maior Felicidade possível de todas as pessoas (Atenção que eu não disse, A Felicidade possível para o maior número de pessoas.) Participar politicamente na gestão dos assuntos públicos é, não só um direito mas sobretudo, um dever de responsabilidade moral e humanitária. Ocupar o lugar que temos na mesa redonda, propor as nossas ambições, ideias e desejos, pessoais e coletivos de futuro é promover uma democracia forte e viva, ainda que continuamente complexa. A cidade, a vila, a rua, a Vida, são causas comuns e de todos, que por todos devem ser cuidadas e pensadas. Porque “O fim de todos os fins, é não fazer nada”!